Brasil perde R$ 3 bilhões ao ano por não reciclar resíduos




A estagnação das políticas públicas no setor dos resíduos sólidos tem provocado o aumento da quantidade de resíduos enviado para locais inadequados. A volta dos lixões gera mais impactos ao ambiente e à saúde da população, além de não incrementar a cadeia da reciclagem.

Conforme a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), nos últimos cinco anos foram enviados para lixões 45 milhões de toneladas de materiais recicláveis, que poderiam movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano. Entre 2016 e 2017, a quantidade de resíduos enviada para lixões aumentou 3%, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos do Brasil. O documento mostra ainda que 40,9% de todo o lixo gerado no Brasil não tem destinação correta.

A não implementação total da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, aprovada há 8 anos, pode ser explicada por alguns fatores.

Pesquisa do Ibope aponta que, em 2018, das 1.816 pessoas ouvidas de todas as regiões, 98% percebem a reciclagem como algo importante. Porém, 75% delas dizem não separar seus resíduos no dia a dia, sendo que a geração de resíduos por pessoa no Brasil cresceu 0,48% de 2016 para 2017.

Entidades defendem que é preciso que os municípios brasileiros partam para soluções regionalizadas, como fizeram os Estados Unidos, que construíram 1.400 aterros regionais em 15 anos. Além disso, é importante que sejam criadas arrecadações específicas para cuidar da questão do lixo. De acordo com o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (Islu), 61,6% dos municípios brasileiros não têm fonte de arrecadação para o setor. Mas entre as cidades que têm algum tipo de taxa ou tarifa para coleta e destinação do lixo, 70% dispõem os resíduos sólidos de forma adequada.