Pesquisa brasileira pretende gerar energia renovável a partir de resíduos industriais




Os tratamentos tradicionais dos efluentes de processos industriais ocorrem principalmente por meio da remoção de poluentes. Em seguida, são despejados em cursos de água. A busca por alternativas mais sustentáveis é o foco de trabalho que está sendo desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. Mais do que simplesmente tratar os resíduos, a pesquisa pretende obter energia a partir deles.

O projeto é voltado para a concepção e operação de um sistema bioeletroquímico denominado Célula a Combustível Microbiana (CCM), conhecida na literatura internacional como microbial fuel cell. Pode-se dizer que se trata de um reator biológico composto por bactérias capazes de consumir a matéria orgânica em sua respiração, mas com a diferença de que elas podem transferir os elétrons gerados no processo para fora da célula. Dessa forma, é possível capturar esses elétrons em um eletrodo, gerando assim uma corrente elétrica.

A etapa atual da pesquisa busca aprimorar ainda mais as possibilidades dessa tecnologia. Além de ser promissora no tratamento de águas residuárias, protegendo a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, esse processo permitirá também o tratamento de águas residuárias com alta carga de nitrogênio, como lixiviados de aterro sanitário, efluentes industriais e agroindustriais, com geração de energia. Atualmente, todos os processos conhecidos para o tratamento ou recuperação de nitrogênio apresentam um custo energético considerável.